Dizer que 2021 não foi um ano fácil para a maioria da humanidade é um tanto óbvio. Não bastasse servir como continuação dos desafios ligados à pandemia da Covid-19, ele também foi um ano de enormes transições pelo planeta, parcialmente motivadas pelas vacinas.

Mas, ocasionalmente, alguns de nós encontramos anos mais desafiantes que outros. E, ocasionalmente, nós encontramos anos que deixam a sensação de que fomos vítimas de um vulcão em erupção.

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Representação artística da minha mente refletindo sobre o ano de 2021
Foto por Eriks Cistovs no Pexels.com

Bom, se tratando de um ano com mais altos e baixos que uma montanha-russa, nada é mais justo do que avaliar por partes. Portanto, é hora de conversar sobre o ano que passou, um trimestre de cada vez.

Parte 1: “2021 será o ano do meu sucesso!”

Otimismo em meio a uma pandemia global de uma das doenças respiratórias mais letais da história recente parece uma ideia bizarra. Mas, apesar dos pesares, essa foi minha mentalidade no início do ano.

Recém-empregado (com contrato de trabalho assinado literalmente na última semana de 2020) e com a sensação de valorização, o mês de janeiro foi extremamente motivador. Até que deixou de ser.

Lentamente, sinais de que algo estava errado com minha saúde passaram a surgir, apesar de que, na época, eram pequenos demais para serem notados. Mas, por menor que fossem, estes pequenos efeitos já foram o bastante para causar stress. Muito stress.

Conforme os meses passam, a alegria de um emprego novo deixa de ser forte o bastante para superar o stress ligado à saúde. Ademais, o período também representa um enorme freio em uma jornada semi-constante no decorrer de 2020 em que me dediquei à escrita de histórias de ficção, uma paixão pessoal de longa data. Paixão, esta, que só retornou em meados de novembro de 2021.

Ou seja, um só trimestre representou todas as emoções possíveis entre “animação extrema” e “stress a ponto de insônia”. Eu gostaria de dizer que, a partir daqui, as coisas só melhoram, mas infelizmente não foi bem assim…

Parte 2: “Algo de errado não está certo.”

O segundo trimestre do ano, infelizmente, continuou o processo de queda livre da saúde. Desta vez, com um foco ainda maior no mal-estar físico. Afinal, o mês de abril mal dá as caras e um vilão inesperado surge com ele: a Dengue.

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Ilustração 2: O capeta enrustido
Foto por Pixabay no Pexels.com

Nunca antes a frase “este foi um mês perdido” fez tanto sentido para mim como foi em abril de 2021. Literalmente um mês inteiro serviu apenas para (a) não conseguir trabalhar direito, (b) assinar um contrato de ghostwriting sem conseguir começar os trabalhos e (c) receber broncas por atrasar entregas graças à maldita doença.

Pouparei você, caro leitor, dos detalhes mais nojentos desse processo. Mas, diga-se de passagem, há um motivo bem forte por trás do meu emagrecimento extremo em um só mês. Motivo que também explica a letargia que fez com que minha cama recebesse bastante atenção durante vários dias.

O mês de maio, então, foi um mês de recuperação. Ou, pelo menos, de tentativas de recuperação. A verdade é que os sintomas do início do ano (que já eram ligados ao sistema digestivo) se uniram a sequelas da dengue e, definitivamente, algo estava errado e eu não sabia. Ainda.

Junho, porém, representou um certo feixe brilhante de luz. Afinal de contas, foi quando participei mais fortemente da organização e realização do Sh*ft Digital, um processo um tanto catártico e sobre o qual você pode ler mais seguindo este link.

É justo dizer, a esta altura, que junho foi, em geral, um bom mês (apesar de certos sintomas gástricos continuarem piorando neste período). Além disso, sempre é gratificante ver minha foto entre a lista de voluntários (ou rangers, na linguagem interna) que contribuíram para o evento no site do Sh*ft Festival.

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Representação artística de como teria sido o Sh*ft Digital se fosse um evento presencial
Foto por Wendy Wei no Pexels.com

Mas, surpreendentemente, o pior ainda estava por vir…

Parte 3: A Morte não saiu de 2021 de mãos vazias

O terceiro trimestre do ano já começa forte, com problemas gástricos piorando cada vez mais, me levando a uma endoscopia (e ao pedido de demissão) em julho.

Mas é em agosto que 2021 mostra a que veio. Neste mês, a Morte traz a sua fúria por não ter levado nada em abril, através da morte de meu cachorro de mais de 15 anos, cuja presença serviu como grande apoio psicológico.

E, para piorar a situação, é claro que todo esse stress só pioraria os problemas gástricos que já acompanhavam o início do ano. Resultado? Endoscopia, múltiplos ultrassons, teste de tolerância à lactose.

E uma noite inteira vomitando.

Dizer que o terceiro trimestre do ano foi ruim chega a ser eufemismo. A cereja no bolo é que todos os exames (e vômitos) acabaram não servindo para muita coisa: os problemas gástricos (que, até o momento desta publicação, acreditamos que se tratam de gastrite e síndrome do intestino irritável, ambas causadas por stress) se recusam a ir embora.

Mais dias são perdidos por motivos de saúde. A concentração morre de uma vez por todas. E, acima de tudo, a paixão pela ficção, que foi tão forte por mais de um semestre inteiro no ano anterior, permanece adormecida em 2021. A situação parece não ir para a frente.

Parte 4: Dizer que as coisas estão melhores é um desafio ao destino, então ficarei quieto

O último trimestre do ano começa da mesma forma que o anterior terminou: com meu estômago e intestino querendo me matar e destruindo minha concentração. Aliás, os problemas gástricos continuam inclusive até o momento dessa publicação, mas certamente alcançaram seu ápice entre julho e outubro.

Novembro, por sua vez, representa um misto de emoções. Por um lado os problemas gástricos continuam e se recusam a ir embora – uma nova recaída me força inclusive a ficar mais de dois meses fora da academia. Por outro, os sintomas (apesar de ainda presentes) começam a enfraquecer conforme o mês avança.

Mas, acima disso, um companheiro de longa data lentamente retorna: o amor pela ficção. Precisamente na última semana do mês, por volta do dia 28, eu retomo a criação de histórias, inicialmente com curtas, mas lentamente retomando também a escrita de histórias mais longas, conforme havia feito pelo ano de 2020.

Este processo continua no mês de dezembro, que também marca o aniversário de um ano de meu podcast, Music Arcade, e o meu próprio aniversário, onde ganho, como presente, algumas bem-vindas centenas de reais. Dinheiro, este, que se torna vital para pagar certas dívidas acumuladas no ano (provenientes de consultas médicas, remédios, exames e até mesmo compras para o apartamento seguindo novas normas de segurança – como a troca de um fogão a gás por um fogão de indução).

Além disso, o mês de dezembro representa a primeira publicação oficial deste site. Sim, ele já existia antes, mas não tinha sido compartilhado até então.

Certamente, no contexto de um ano que mais pareceu um incêndio sem fim, dezembro de 2021 deu a sensação de que bombeiros finalmente controlaram as chamas. Apesar de que nem tudo ainda está resolvido…

Parte 5: O futuro e além

Observar o ano de 2021 foi praticamente como observar um acidente espetacular de trânsito: a destruição é real e você sente a dor, mas não consegue parar de olhar.

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Representação artística do último trimestre de 2021
Foto por David Henry no Pexels.com

Felizmente, porém, o fim do ano trouxe indícios de melhora. Isto não quer dizer que 2022 será um ano fácil ou que não há preocupações ocupando a mente no início do ano – muito pelo contrário, os primeiros meses prometem ser extremamente desafiantes.

Mas, como um todo? Foi um ano extremamente doloroso, mas que finalmente foi embora e deixou algumas coisas positivas. Afinal, não posso minimizar o efeito de participar do Sh*ft Digital, muito menos de poder fazer parte de um podcast que superou a barreira de um ano, algo que nem todo podcast pode dizer que alcançou.

Outros detalhes não mencionados no texto acima incluem, por exemplo, como o mês de novembro me ajudou a ter uma visão mais concreta das questões psicológicas em que preciso trabalhar para ter uma vida melhor e como agir sobre pelo menos algumas delas.

O trimestre que vem pela frente será desafiante, sem a menor sombra de dúvidas. Mas, pela primeira vez desde 2020, eu me sinto esperançoso.

Agora só resta esperar que essa esperança não seja quebrada da mesma forma que ocorreu no início de 2021.